Texto por: Ana Lucia Angulo Castillejo

No marco da Jornada de Agroecologia, no sábado, 9 de agosto, foi realizado o workshop de Economia Solidária Digital (ESD) no campus Politécnico da UFPR. Os ministrantes foram Vinícius Costa, bolsista de doutorado, e a pesquisadora Maria Júlia Silvestre, que atuam no eixo de Design de Políticas Públicas do Laboratório de Cultura Digital (LabCD).

A oficina, gratuita e aberta ao público, começou com uma roda de apresentação, na qual cada participante pôde se apresentar e compartilhar o motivo de seu interesse em aprender sobre o tema. Em seguida, cada pessoa recebeu um papel contendo uma palavra relevante do vocabulário relacionado à temática, e cada conceito foi classificado de acordo com o tipo de forma de ação, como pertencente à globalização vertical (economia capitalista) ou horizontal (economia solidária).

Após esse primeiro momento, os ministrantes explicaram o que é o movimento EcoSol, um projeto social e uma proposta de desenvolvimento soberano do povo, ou, em linguagem simples, um conceito em construção. Um dos pontos importantes abordados foi a inclusão de comunidades tradicionais como forma de resistência a pensamentos coloniais, incorporando cosmovisões capazes de gerar novas tecnologias em forma de ferramentas, saberes e modos de fazer, ampliando o olhar.

A Economia Solidária se fundamenta nos princípios de solidariedade, cooperação, autogestão, valorização do trabalho e na priorização das pessoas acima do capital. Assim, após a explicação dessas ideias centrais, para que todos os participantes compreendessem melhor o contexto, foi introduzida uma pergunta para discussão: Qual é a influência das Big Techs no Brasil? As Big Five – Google (Alphabet), Apple, Amazon, Meta e Microsoft – desempenham um papel mais relevante do que normalmente se considera.

Outro ponto importante da oficina foi a explicação sobre o funcionamento das plataformas Uber e iFood, empresas com grande presença nacional. Nessas plataformas, os clientes realizam um pedido e os trabalhadores dos aplicativos oferecem, em troca, um serviço. No entanto, nem sempre eles obtêm os melhores benefícios ao trabalhar para essas companhias, pois uma porcentagem do valor recebido é descontada e os custos de deslocamento envolvidos costumam ser elevados. Nesse momento, um dos participantes teve a oportunidade de compartilhar sua própria experiência, relatando que já havia trabalhado, no passado, como motorista da Uber.

Uma estratégia para combater o colonialismo 2.0, ou colonialismo digital, é implementar os princípios-chave da ESD, que incluem a colaboração em rede, o acesso aberto, a transparência e a inclusão digital. Dessa forma, se busca gerar maior impacto nas comunidades, aumentando a visibilidade de novas propostas. Ao final do workshop, os ministrantes compartilharam alguns casos atuais de iniciativas que defendem a Economia Solidária Digital, bem como possibilidades de participação nesses projetos.

Entre os casos apresentados está o modelo de IA LATAM-GPT, uma base de dados latino-americana construída com a ajuda da comunidade, que reúne materiais de instituições científicas, utiliza linguagem simples e possui código aberto. Seu lançamento está previsto para o mês de setembro deste ano. Além disso, foram mencionadas outras propostas, como o Mapeamento Quilombola Digital, a Pesca Sustentável Ribeirinha, a iniciativa Señoritas Courier, o e-COO, o Caipira TechLab, o aplicativo Castanhadora e a Cooperativa de Trabalho em Educação, Informação e Tecnologia para Autogestão (EITA).

É possível acessar os sites desses projetos e iniciativas para conhecer melhor seus trabalhos e o impacto que geram na sociedade. Outra plataforma recomendada na oficina foi a Biblioteca de Tecnologias Sociais da Bocaina, que faz parte do Observatório de Territórios Saudáveis e Sustentáveis (OTSS). Trata-se de um portal que oferece conteúdos gratuitos de grande riqueza e valor e que, em seu próprio site, se define como uma iniciativa que “promove saúde, sustentabilidade e direitos para o Bem Viver das comunidades tradicionais em seus territórios”.