Bolsistas do Laboratório de Cultura Digital relatam processos coletivos de aprendizagem, práticas de escuta e desafios na consolidação das políticas culturais
Texto por Ana Lucia Angulo
No sábado, 30 de agosto, foi realizada a Caravana Pactos pela Cultura no Centro de Formação dos Profissionais da Educação (CENFORPE), em Pinhais, reunindo participantes de Curitiba e da região metropolitana. A atividade é realizada pelo Comitê de Cultura do Paraná, com apoio do LabCD. A programação contou com diferentes momentos, incluindo o painel sobre o Sistema Nacional de Cultura (SNC), a oficina de escrita de projetos, os grupos de trabalho e a mesa com autoridades, além de apresentações artísticas como a Batalha de Pinhais, a Orquesta Filarmônica FAP e rodas de capoeira.
Bolsistas do Laboratório de Cultura Digital (LabCD), desempenharam um papel essencial durante o evento e alguns deles compartilharam suas experiências, destacando aprendizados, identificação de problemas e sugestões para futuras edições.

O primeiro bolsista a relatar sua experiência foi Bruno Lous, que afirmou que a melhor parte de participar da organização metodológica da caravana foi a possibilidade de construir em conjunto com uma equipe de diversas especialidades. Para ele, é fundamental e especial fazer parte de um processo de colaboração constante entre artistas, produtores e educadores, cujo objetivo é ouvir as pessoas que estão fazendo cultura nos territórios.
“O maior aprendizado não é pessoal, é coletivo: aprendemos em comunhão sobre a realidade da produção cultural e pensamos no que se pode fazer para transformar essas condições”. Além disso, Bruno ressaltou a importância dos grupos de trabalho, que, segundo ele, permitem compreender como as pessoas enfrentam os desafios impostos à produção cultural.
Camille Bittencourt, bolsista do Laboratório e produtora cultural, considerou a experiência uma oportunidade riquíssima para gerar trocas, inspirar, conhecer realidades diferentes, mostrar os frutos e agentes do trabalho, princípios que norteiam todos os projetos realizados no LabCD. Ela destacou um acontecimento em seu grupo de trabalho: “Uma moça não se identificava como agente cultural e conseguiu entender que todo o seu trabalho e sua história são de uma agente cultural; ela entendeu que é cultura viva”.
Camille explicou que um dos pilares do projeto é o momento de escuta dos participantes, pois eles se sentem ouvidos e apoiados no diálogo da sociedade civil e o poder público. Esse processo de escuta não é apenas simbólico, mas representa uma oportunidade de valorização de diferentes vozes. Por isso, os grupos de trabalho se consolidam como espaços que permitem dar mais atenção a cada pessoa e facilitam a criação de conexões.
Por outro lado, a bolsista Rafaela Zimkovicz considerou enriquecedor o alcance e a diversidade territorial da caravana, destacando problemas em comum levantados pelos participantes, como a falta de transparência dos Conselhos Municipais de Cultura, a linguagem pouco acessível dos editais de fomento e a carência de formações que preparem artistas a participar desses processos.
Rafaela considera fundamental o ensino de competências como escrita de projetos, organização de portfólios e procedimentos de prestação de contas. Além disso, para a bolsista, contudo, o maior desafio é o tempo: “Falta tempo para contextualizar todos os participantes sobre os dados de seus municípios, explorar a fundo os problemas e levantar soluções já praticadas ou metas propostas em diálogo com as duas partes”.
Luiza Magalhães, também bolsista do LabCD e artista visual, afirmou que a caravana lhe permitiu aprender e desenvolver novas habilidades “Como eu sou produtora cultural, também me coloquei como alguém que estava sendo assessorado para aprender a organizar esse tipo de evento… consegui tirar vários aprendizados que vou colocar em prática futuramente, quando escrever para um edital ou quando participar de uma consulta pública”.

No entanto, Luiza observou um ponto a ser melhorado: a falta de maior participação de produtores culturais jovens. Segundo ela, grupos de cultura independentes e underground, que muitas vezes não contam com fomento ou apoio institucional, poderiam ser incluídos em futuras edições. Esses grupos trazem perspectivas inovadoras, mas precisam de mais espaços de participação e oportunidades de letramento cultural.
Bruno Vanhoni, coordenador da Caravana, também ressaltou alguns dos impactos positivos do evento. Entre eles, para os participantes, destacou o acesso à informação, o sentimento de pertencimento e a incidência política; e, para os territórios, a valorização cultural e a reconstrução do tecido social. Segundo ele, “a Caravana funciona como uma catalisadora de informação, diálogo e mobilização, deixando um legado de fortalecimento institucional e comunitário.”
Sem dúvida, a Caravana Pactos pela Cultura foi uma grande conquista, representando não apenas um evento isolado, mas parte de um conjunto de ações que, ao longo prazo, buscam gerar melhorias concretas e impactos positivos na sociedade. Momentos como esse permitem que diferentes atores culturais se conectem e troquem experiências; assim, a participação ativa de cada indivíduo, somada à colaboração coletiva, contribui significativamente para resultados duradouros e transformadores.